segunda-feira, 17 de março de 2014

Do tamanho do Brasil

Uma frase dita e repetida: ”O ano começa depois do carnaval”. Então, feliz ano novo a todos. Acabou o carnaval e agora por onde começar? Que tal começar preparando o nosso kit verde e amarelo, e em brados ufanistas rumo ao hexa. Sinceramente, eu não vou fazer isso, desculpe-me quem vai fazer isso, mas eu tenho coisas mais importantes para fazer. A seleção brasileira pode ser campeã do mundo, mas o Brasil o que vai ganhar com isso? Entendam, não sou contra quem vai vestir verde e amarela e empunhar bandeiras e aos berros e gritos de vai Brasil, para cima deles seleção.

          Mas a copa é em junho e estamos no início de março, tem tempo para fazer outras coisas até lá. Eu sei que estamos todos de “saco cheio” com a política, infelizmente política tem sinônimo de roubalheira, falcatrua, bandidagem e outras coisas mais. O Brasil ganhando ou não a copa, a vida continua, os problemas continuam, o barco segue remando em águas turvas. E também irá continuar entre as dez economias do mundo.

          Depois disso, sai à pátria de chuteiras e entra talvez a pátria do civismo. Começa o embate político rumo ao Planalto Central. Fervilha no caldeirão político siglas e mais siglas vendendo ideologias. De um lado a imagem de um país pujante e de outro de um país a beira caos. SITUAÇÃO e OPOSIÇÃO, a primeira, pinta o paraíso exalando fragrâncias de todas as flores e a segunda se apega às sujeiras dos jardins e aos espinhos das flores. A situação quer proteger o seu telhado e a oposição sabe que o telhado é de vidro.   Entre réplica e tréplica, o debate com certeza não é um projeto para o país e sim um programa partidário que eleva o partido político que está no poder. Entre discursos evasivos esquece-se de debater o Brasil, pois sobressai a vontade partidária e de seus aliados que fazem de tudo para manter o seu curral eleitoral.

          Muitas vezes não temos conhecimento ou não queremos saber, mas há todo um sistema que pelo qual estamos todos submetidos. Todos sabem como está à saúde, a educação, a situação de moradia, só para citar alguns. Todos esses setores e outros se desenvolvem de acordo com o sistema. O nosso país é rico o suficiente para dar aos brasileiros a dignidade para o bem viver. Estruturalmente somos um país de miserável. A pobreza material nos ofende e miserabilidade corrói a alma.

          Acredito que todos já ouviram dizer que somos um povo culturalmente rico, que nossa riqueza está estampada nas diversidades culturais e no jeito brasileiro de ser, disso não há dúvida. Ouço sempre dizer que o que estraga o país é a nossa política, não é bem assim. A política pode ser visto como um instrumento, e esse instrumento depende de quem manuseia. Guardadas as devidas proporções, o que estraga o país são os políticos. Vejam bem, eu disse guardadas as dividas proporções, pois os nossos digníssimos representantes são políticos eleitos com o voto da sociedade. Agora, quem é a sociedade? Resposta curta e simples: A sociedade somos todos nós. Nós somos cúmplices dos descasos e da banalidade que impera em nosso país. Que merda é essa, eu não compactuo com isso, o cara que rouba, eu que sou o culpado? Exatamente, arcamos com um monte de impostos, cumprimos a nossa parte e pagamos pelo mal da sociedade, a ganância e a estupidez.

          Quer saber de uma coisa, eu quero pão e circo, quando chega o tempo de eleição voto daquele que me ajuda com uma cesta básica, com remédio e com outras coisinhas mais. Quero que a vida me leva, quero sombra e água fresca, meu compromisso é apenas comigo. Não estou ai com nada, quero assistir minha novela preferida, big brother de domingo a domingo, levo a vida e a vida me leva.   E a política? A política deixe para os políticos, eles ganham pra isso.  Brasil rumo ao hexa!


Luiz Carlos de Proença

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por deixar seu comentário, visite outras vezes

Ao sabor de um cálice de silêncio

  Na beira de um riacho observando o fluir das águas e o voar das borboletas num exuberante colorido. Um insight como uma noite escura, como...