domingo, 1 de julho de 2012

Papo de botequim


        Numa casinha simples em um vilarejo distante da cidade, vivia Zé da terra, uma figura conhecida pelas aquelas bandas. Conhecido contador de história gosta de passar o seu tempo no bar do seu Bento. Além de contador de história, aprecia uma boa pinga e uma boa conversa sobre política. Junto na roda de amigo, relembra o Brasil da época de chumbo, a repressão não tinha dó e nem piedade, descia o porrete em quem ousava a enfrentá-la, comenta ele.  Mas, o assunto preferido mesmo era sobre política e falava com propriedade de quem vivenciou os principais fatos políticos do país. Tecia elogiosos comentários a Luís Carlos Prestes, o cavaleiro da esperança.     
       Confessava para alguns, a sua simpatia pelo comunismo. A discussão se acalorava mesmo quando o velho seu Bento entrava na conversa, um declarado direitista fã de carteirinha da velha política tupiniquim. Zé da Terra acostumava dizer em suas conversa que política era vocação. O cantador de história não fugia de um debate. Numa dessas tarde, o embate se acirrou, quando seu Bento o provocou, dizendo:
            _ A esquerda foi e continua sendo o atraso para o país, Zé da Terra não gostou do que ouviu e sem titubear retrucou: _Pois é, mas a direita ficou tanto tempo no poder que se esqueceu de governar e mais ainda, contaminou a nossa política. Ele se lembrou do tempo que o sistema político era composto por apenas dois partidos, não havia tantas manobras como hoje. Dizia que o grande número de partidos facilita toda a corrupção. Então seu Bento, falou Zé da Terra:
            _Esses são vícios da velha política que senhor teima em defender, completou. Essa elite política que se perpetua no poder, esse jogo de interesse que amarra o país em todos os aspectos.  Ele retruca: Meu velho Zé isso é governabilidade, um partido apenas não consegue governar um pais tão grande e tão diversificado como esse. Mas, meu amigo disse Bento: _Se faz tudo em nome dessa tal governabilidade e pouco se faz para o desenvolvimento e o crescimento do país, completou em grande estilo, o velho sábio Zé da Terra. E a conversa continuou sem horas para terminar.   
     

Luiz Carlos de Proença 

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