terça-feira, 18 de março de 2014

Pelo caminho das flores


Não me importo quando ouço ou leio algum comentário, dizendo que meus textos são pessimistas. Se falo da realidade, do caos e da desordem, dizem que pessimista, só enxergo o lado ruim das coisas. Se ignoro a realidade e vivo a minha vida sem se importar com nada, dizem que sou um alienado.  Não sou pessimista, talvez eu não compactue com a visão de mundo que está na vitrine. Nada de anormal cada um vê o mundo da maneira de lhe convém. Desejamos e queremos ser feliz o tempo todo, isso é impossível. Não sou feliz, eu estou feliz, assim como não sou triste, posso estar triste por um momento. Somos assim, precisamos de cuidado. Não podemos omitir a dor e nem deixar de afagar a flor com medo dos espinhos. O mundo não é um paraíso, e não somos uma ilha.

Numa sociedade em que a banalidade atrai os olhares de muitos, valorizando o que não tem valor algum. Promove a evolução e o desenvolvimento das coisas (objetivos) em uma visão economicista que em nada agrega a nossa vida cotidiana. Na verdade, necessitamos de paz e amor, o resto é comoção popular. Bonito Isso, paz e amor, é claro que precisamos de paz e amor. A mesa farta é sinônimo disso. Será? “A gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte.” (Titãs). Tudo bem, empanturramos o corpo e deixamos o espírito e a alma vazia. “Daí pão a quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão”  

“Até bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?” (Legião Urbana). Muitos pensadores já escreveram sobre o ser humano, uns com uma visão otimista referem ao homem sapiente, outros com menos otimista trata esse mesmo homem com demente. Sapiência e demência, o simbólico e o diabólico. “O homem é o lobo do homem” (Thomas Hobbes).

“Paz na terra aos homens de boa vontade” (Lc 12,2). Paz em todo mundo. O mundo não é um paraíso, nós não somos uma ilha. Somos corpo e alma, somos filhos da terra, da terra que alimenta homens e animais. Da terra a semente, frutos e folhas e vida e paz. Na terra a fome de pão que alimenta o corpo, na terra a fome de espírito, a vida em desdém. O amor em solitárias veredas em difíceis caminhadas. O ódio e a indiferença, o mundo não é um paraíso e as flores estão por aí, a procura de campos e jardins. Dê-me a sua mão,levantai e segue pelo caminho das flores.
   

Luiz Carlos de Proença

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