Não
me importo quando ouço ou leio algum comentário, dizendo que meus textos são
pessimistas. Se falo da realidade, do caos e da desordem, dizem que pessimista,
só enxergo o lado ruim das coisas. Se ignoro a realidade e vivo a minha vida
sem se importar com nada, dizem que sou um alienado. Não sou pessimista, talvez eu não compactue
com a visão de mundo que está na vitrine. Nada de anormal cada um vê o mundo da
maneira de lhe convém. Desejamos e queremos ser feliz o tempo todo, isso é
impossível. Não sou feliz, eu estou feliz, assim como não sou triste, posso
estar triste por um momento. Somos assim, precisamos de cuidado. Não podemos
omitir a dor e nem deixar de afagar a flor com medo dos espinhos. O mundo não é
um paraíso, e não somos uma ilha.
Numa
sociedade em que a banalidade atrai os olhares de muitos, valorizando o que não
tem valor algum. Promove a evolução e o desenvolvimento das coisas (objetivos)
em uma visão economicista que em nada agrega a nossa vida cotidiana. Na verdade,
necessitamos de paz e amor, o resto é comoção popular. Bonito Isso, paz e amor,
é claro que precisamos de paz e amor. A mesa farta é sinônimo disso. Será? “A
gente não quer só comida, a gente quer comida diversão e arte.” (Titãs). Tudo
bem, empanturramos o corpo e deixamos o espírito e a alma vazia. “Daí pão a
quem tem fome e fome de justiça a quem tem pão”
“Até
bem pouco tempo atrás, poderíamos mudar o mundo, quem roubou nossa coragem?”
(Legião Urbana). Muitos pensadores já escreveram sobre o ser humano, uns com uma
visão otimista referem ao homem sapiente, outros com menos otimista trata esse
mesmo homem com demente. Sapiência e demência, o simbólico e o diabólico. “O
homem é o lobo do homem” (Thomas Hobbes).
“Paz
na terra aos homens de boa vontade” (Lc 12,2). Paz em todo mundo. O mundo não é
um paraíso, nós não somos uma ilha. Somos corpo e alma, somos filhos da terra,
da terra que alimenta homens e animais. Da terra a semente, frutos e folhas e
vida e paz. Na terra a fome de pão que alimenta o corpo, na terra a fome de
espírito, a vida em desdém. O amor em solitárias veredas em difíceis
caminhadas. O ódio e a indiferença, o mundo não é um paraíso e as flores estão
por aí, a procura de campos e jardins. Dê-me a sua mão,levantai e segue pelo
caminho das flores.
Luiz
Carlos de Proença
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