quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Noite com sol

Adentra a noite ao olhar enfático do tempo
Traz consigo algo que se desfaz em vazios
Como vozes que emudece ao calar do silêncio
 Fecham-se os olhares num instante qualquer

Nutre à alma a essência do espírito em silêncio segue...
Segue alguém em mim um tempo, é noite com sol
Silencia o silêncio na tenacidade de um momento
Seduz as palavras e induz as paixões

Aos gritos salta a voz que antes emudecida
Agora balbucia amargas palavras
Ao átrio sagrado dos desérticos corações e insanos sentimentos
Encontro sobre a ternura os resquícios e um vago momento

Em pequenas lembranças e desejos ainda latentes
Aflora o mundo um sentimento amargo
Aos poucos desatinado e angustiado
Escondido entre as guerras de todos os dias

Em estranhos sentimentos, um sonho solitário e um adeus
Acolhe o meu medo fugindo da coragem
E enveredando num longínquo paraíso
De flores embalsamadas e corações solitários

Do outro lado um jardim perdido
E lágrimas em busca de um olhar
O medo da coragem e a mentira da verdade.
Foge a vida ao aconchego do silêncio sob a fúria dos vendavais

Esconde o mau(l) em si mesmo e nutri-o com o bem que lhe tem
Feri a liberdade e esconde a verdade
Nossos desejos afloram a pele nua e se perde entre a fugacidade dos ínfimos instantes
Cala-te a voz insana e mórbida de tantos absurdos

Luiz Carlos de Proença

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