segunda-feira, 4 de junho de 2012

À medida que medimos


           A bandeira branca sinaliza por paz, quer a paz e busca a paz por errantes caminhos, mas cai por terra sem saber. Não sabemos nada, vivemos de ilusões alimentamos o amor e nutrimos o odeio. Miseravelmente evoluímos como pobres dementes transeuntes em caminhos tortuosos com pressa de chegar sem saber onde. A beira do caos bebemos a água ácida e comemos o pão que o diabo amassou, saciamos a fome do corpo e sucumbimos a alma na dor de cada dia. A terra seca morre tudo que se move e a lua sob o sol escaldante suga a alfazema corroendo a essência e semeando ervas daninhas nos quintais e jardins.
       Caminham em passos lentos burros e jumentos, camelos e dromedários conectados ao vazio, interligando solidão e tristeza em uma espécie cada vez mais estranha.  Pedimos clemência, clamamos por piedade e imploramos por ajuda e mãos bondosa que acalentam as nossas quedas. Mas essas mãos que oferecem flores são as mesmas que apedrejam. Não adianta dizer que sou da paz, e faço a paz reinar em mim. Eu sou da paz, sou do amor, os outros fazem guerras e espalham ódio. Essa é a sociedade da hipocrisia, os outros plantam ervas daninhas e cultiva joio eu planto flores e cultivo alfazemas.
             Não desejo ao outro o que não quero para mim. Mas continuamos a seguir os mesmos passos de outrora. A primeira impressão é sim a que fica e "a primeira vez é sempre a última chance". Enfatizamos os erros, ignoramos os acertos. Pouco importa as virtudes, os vícios são mais atraentes, por isso mesmo ao invés de criarmos círculos virtuosos, criamos círculos viciosos. Bradamos em alto e bom som o pecado original, mas não fazemos o mesmo para falar da virtude original. Enfatizamos o erro e inconscientemente o acerto é obrigatório, errar humano acertar também é humano. Hipocritamente seguimos as receitas que são impostas, embora, dizemos o contrário. Temos liberdade, vivemos a liberdade, mas não podemos tudo, a liberdade não nos concede a liberdade. Assim somos. A culpa é sempre do outro.  

Luiz Carlos de Proença

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