domingo, 17 de agosto de 2014

Sempre em frente

Um pouquinho de sol para aquecer o inverso da alma. Doces são os dias e as horas sem se incomodar com os segundos que se fez ontem. Em frente, sempre em frente até chegar ao sol e sucumbir-se em si mesmo. Penso, assim e por aí flui a névoa cinzenta que vai ao encontro das estrelas e beija a face da lua. Saiu em uma bela amanhã à procura do sol que não apareceu para desejar bom dia. Penso, minto e sei por que penso e minto talvez a verdade não queira ver o novo dia.

Sinto e todo o sentimento me alimenta, nutri com a seiva de todos os dias que estão por vir. Amanhã acorda sob os olhares perplexos e a alfazema exala seu aroma pelos quintais. Venho de longe para colher flores e frutos e semear as próximas estações. Não conheço o caminho, mas creio na incerteza do meu caminhar. Às vezes admiro o sol e aqueço com os raios e procuro a sombra para me aliviar. Em outras vezes se engraço com a chuva e namoro-a as faces encharcadas de um céu distante.

Amantes e amados adentram um mundo desconhecido e parte em busca do porto seguro. Voam para bem longe, para a além da imaginação. E depois voltam apanhar flores no mesmo quintal. Para bem longe oura vez, um estranho em si mesmo. Talvez ainda não conheça o desconhecido, a ponte para outra margem. As águas de outros rios e as lágrimas de outros e diferente s olhares sob os mesmos horizontes.

Amanhã não sei, ainda não conheço o caminho. Sempre em frente em busca de novas possibilidades. Sentir, pensar e ver o tempo passar. Nada é estranho tudo é conhecível e o passar do tempo me faz bem. Voei até as alturas e o infinito estava na solidão e o horizonte se encontrava distante. Quero voltar aos mesmos jardins e abraçar as flores e saciar sua beleza. Assim diz um estranho ao adentrar o jardim e extasiar com a exuberante beleza: Dê-me um pouco de essência, preciso alimentar o meu espírito. E a partiu para uma distante viagem. 

Luiz Carlos de Proença
        16/08/2014




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