Sonha um dia uma manhã debaixo das
sombras do mundo, ouvindo histórias dos primórdios da humanidade. Como pássaro que
voa as alturas e sobre as nuvens lançam olhares enfatizados como rebentos em
alta voltagem. Sonhando ainda o mundo e suas aflições nos becos e favelas num
romance sobre os vendavais. Os traços deixados de lado, lápis e pincéis e o contorno
da fragilidade humana no painel do imaginário. O magistral e a beleza sinfônica
dos cantos e canções dos versos sem palavras e o sublime arrebatador silêncio
da alma. Percebe agora a força que move e ao mesmo tempo essa mesma força
paralisa e age sem obedecer qualquer ordem, impulsionando planetas e devastando
alma e jardim. O sol quer uma fresta e pede licença para brilhar em meio à
tempestade, sua luz aquece mentes atrofiadas e corações dilacerados.
Os
marcianos estão a caminho e aproximadamente um bilhão de seres humanos sofrem
com o flagelo da fome e a realidade parece ser ficção. Macacos e ratos,
máquinas e homens e a tempestade Sandy para por dois dias a bolsa de valor de
nova Iorque; Obama mais quatro anos à frente da maior potência do planeta. Enquanto
continua a crise na região do Euro expondo a realidade à pele nua e desenhando
um 2013 não muito otimista.
Vinte quatro horas trezentos e sessenta
e seis dias e as quatro estações “e o nada não é a ausência do tudo”, diz o
físico Marcelo Gleiser. O tempo parece acelerado e daqui mais uns dias, as
propagandas de natal com as tradicionais musiquinhas. Assim esquecemos-nos de
viver o presente, pois estamos sempre à espera de algo, torcendo que esse algo
traga alguma coisa diferente.
“O
encanto está ausente e há ferrugem nos
sorrisos” cantou Renato Russo. E nesse encantamento o desencanto no jardim da
solidão e flores de plástico. Há um mundo gritando e outro a distância não
querendo ouvir, apenas passa e não quer olhar, tem outro a espera e não quer
nem saber. Ninguém quer saber e um bêbedo dorme na calçada, do outro lado
mendigo habitando outro mundo. Será que é certo dizer que tudo é um caos? Ou
ainda é possível beber da fonte a água viva ou tomar um cálice de esperança e
uma taça de novas possibilidades? Os poetas, os romancistas escrevem suas obras baseada na saga da humanidade, suas buscas e contradições, da terra ao mar do céu ao inferno, quanto ao inferno diz o
dito popular “o inferno é aqui mesmo”, já que mencionei essa palavra, nada
melhor para terminar esse texto citando o Fiodor Mikailóvcki Dostoievski,
romancista, RUS, 1821-1881, que diz:” O inferno é a incapacidade de não poder
mais amar”.
Luiz Carlos de Proença
09/11/12
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