sexta-feira, 9 de novembro de 2012

“O encanto está ausente e há ferrugem nos sorrisos”

Sonha um dia uma manhã debaixo das sombras do mundo, ouvindo histórias dos primórdios da humanidade. Como pássaro que voa as alturas e sobre as nuvens lançam olhares enfatizados como rebentos em alta voltagem. Sonhando ainda o mundo e suas aflições nos becos e favelas num romance sobre os vendavais. Os traços deixados de lado, lápis e pincéis e o contorno da fragilidade humana no painel do imaginário. O magistral e a beleza sinfônica dos cantos e canções dos versos sem palavras e o sublime arrebatador silêncio da alma. Percebe agora a força que move e ao mesmo tempo essa mesma força paralisa e age sem obedecer qualquer ordem, impulsionando planetas e devastando alma e jardim. O sol quer uma fresta e pede licença para brilhar em meio à tempestade, sua luz aquece mentes atrofiadas e corações dilacerados.
   Os marcianos estão a caminho e aproximadamente um bilhão de seres humanos sofrem com o flagelo da fome e a realidade parece ser ficção. Macacos e ratos, máquinas e homens e a tempestade Sandy para por dois dias a bolsa de valor de nova Iorque; Obama mais quatro anos à frente da maior potência do planeta. Enquanto continua a crise na região do Euro expondo a realidade à pele nua e desenhando um 2013 não muito otimista. 
Vinte quatro horas trezentos e sessenta e seis dias e as quatro estações “e o nada não é a ausência do tudo”, diz o físico Marcelo Gleiser. O tempo parece acelerado e daqui mais uns dias, as propagandas de natal com as tradicionais musiquinhas. Assim esquecemos-nos de viver o presente, pois estamos sempre à espera de algo, torcendo que esse algo traga alguma coisa diferente.
O encanto está ausente e há ferrugem nos sorrisos” cantou Renato Russo. E nesse encantamento o desencanto no jardim da solidão e flores de plástico. Há um mundo gritando e outro a distância não querendo ouvir, apenas passa e não quer olhar, tem outro a espera e não quer nem saber. Ninguém quer saber e um bêbedo dorme na calçada, do outro lado mendigo habitando outro mundo. Será que é certo dizer que tudo é um caos? Ou ainda é possível beber da fonte a água viva ou tomar um cálice de esperança e uma taça de novas possibilidades? Os poetas, os romancistas escrevem suas obras baseada na saga da humanidade, suas buscas e contradições, da terra ao mar do céu ao inferno, quanto ao inferno diz o dito popular “o inferno é aqui mesmo”, já que mencionei  essa palavra, nada melhor para terminar esse texto citando o Fiodor Mikailóvcki Dostoievski, romancista, RUS, 1821-1881, que diz:” O inferno é a incapacidade de não poder mais amar”.

Luiz Carlos de Proença
09/11/12

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