sábado, 9 de junho de 2012

Vênus entre o sol e a terra


            Está em sentido contrário, mas o sentido não existe. Tudo não é nada, apenas vazio, e alguma coisa qualquer se move entre o tudo e o nada. De repente nada, a lua vem ao encontro de tudo em meio às algazarras entre lixos espaciais e a incessante busca do ser humano e a explicação cosmológica do universo. Os olhares imperceptíveis fitam o infinito e cego diante da realidade não vê o mesmo com os mesmos olhares. E sobre as suas faces as lágrimas de muitos sóis e outros corpos celestes. Ainda há o escuro da lua e pegadas pelo caminho. E pétalas de flores mortas e restos de planetas em imensa solidão. Nos altares dos templos as feridas e a via - láctea em dores profundas. E uma estrela solitária invade o sonho numa noite inacabada.
            Das frestas do casebre contempla as faces do tempo e a ternura de um olhar, e um vento suave sossega o corpo já cansado. Embora, cansada a vida pede por atitudes e não se deixa abater. Um silêncio tece e perfaz o momento que em seguida se desfaz aos gritos ensurdecedores dos bárbaros e insanos que invadem becos e ruas.
            E aqui o nosso mundo segue entre as barbáries e a civilidade, nada mais assusta, o animal humano sempre surpreende.  A população mundial já atingiu a marca dos sete bilhões.   Desses números mais ou menos um terço dessa população passam fome. E isso não é por falta de produção. O mundo produz alimentos para alimentar quase duas vezes sua população. Há muitas maravilhas nesse mundo, então porque a gente gosta tanto de falar de desgraças se o homem também é capaz de produzir progresso? Seria exato dizer então que a maior parte mundo é feliz, pois pode ter o suficiente para viver. Esse cálculo com essa exatidão não se aplica, essa conta não fecha. O ter não significa felicidade. Pelo o que se sabe as populações ricas não vivem numa ilha de tranqüilidade.  O ser humano é bem mais profundo e complexo. Talvez isso explique tantas barbáries e banalidades que perfaz a história da humanidade. Mas a fome degrada o ser humano e é um mal que deve ser combatido.
            Pessoas fazem regime para emagrecer ou por problema de saúde ou por estética. Uns tem problema de saúde por comer demais (obesidade), por outro lado há aqueles que têm problema de saúde por comer menos, por não ter o que comer (desnutrição). E a crise na zona do euro parece não ter fim. Uns dizem que é a crise do capitalismo, outros afirmam que não. Se o capitalismo fracassou como afirmam alguns, então o que dizer do socialismo? Vênus entre o sol e a terra só daqui a 105 anos.

Luiz Carlos de Proença 

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