Em um dia qualquer amanhece e em
qualquer anoitecer entre as quatro estações um sol a brilhar e um dia inteiro
de chuva. Antes que um dia qualquer acabe em sintonia com tudo que ainda não
aconteceu, o vento norte mudou de direção. A poesia que se fez poesia da alma
da própria poesia. Em algum lugar por alguma fresta do infinito respinga as
lágrimas de um olhar qualquer. A imensidão do universo sob palavras e sobre as
palavras o silêncio repousa entre flores espinhos e solidão. Não quero nada
mais do que isso, estou brincando no quintal da existência com anjos e
arcanjos. Não chores, ria pelos menos por um instante por apenas esse momento.
Quero o aconchego de uma tarde e o sabor das frutas no frescor das manhãs.
Antes
do antes e depois do depois e o agora e aquele olhar que eleva, não sei
explicar aquele olhar. Então algo me acontece, não sei o que e não sei por que,
só sei que é assim. Assim de que jeito, não sei, só sei que é assim. O
horizonte pode levar ao infinito, mas não dá para seguir por esse caminho e
muito menos por aquele. Amanheceu outra vez e outra vez o desejo de ter o
mundo, de ser o mundo ou distanciar do mundo aflora o existir. Novamente o
refúgio e o escuro da lua e as infidas noites. E o sonho escorre por entre os
dedos e os anjos levam flores aos desérticos jardins.
Você
brinca de lego, monta diversos brinquedos e voa na imensidão do imaginário
universo. E quando chega a beira do mar para construir seu castelo e logo
destruí-lo, sobre a areia retrata o que está construído na mente e impregnado
na alma. Vem brincar neste quintal, plantar flores e colher esperança. Mas
ainda há lágrimas, fome e solidão. A vida dói na miséria na fome de pão e na
fome de justiça. Nas ruas o silêncio das multidões e a sujeira no mundo na
prepotência e ignorância do homem.
Caminha
por diferentes veredas até chegar e se não chegar a caminhada continua entre
vales e montanhas. Distante muito distante, um solitário horizonte entre
olhares perdidos e campos de girassóis. O amor quer uma chance e pede passagem
e diz para si mesmo que não desista do ódio, ele me deixa mais forte. E um
tempo que está por vir desafia tudo e em tudo que acredita. A verdade e a
mentira, a vitória e a derrota, a virtude e o vicio e a liberdade por ser o que
é cai por terra diante de tantos absurdos e tantas barbáries.
Entre
a cruz e a espada, o herói se exila em si mesmo num combate imaginário. Um
instante se faz em um momento que se desfaz na incessante busca de algo e o
oásis da existência. A consciência desacelera e uma flor murcha sobre o
escaldante sol do meio dia. A lua no
vazio da noite de estrelas ensandecidas em infinitos e essências.
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