A A liberdade vence o medo de voar
e a verdade sempre vencerá. Os olhos abertos não percebem a luz querendo se
apagar. Assim é a verdade, sempre uma luz que muitas vezes imperceptível se
nega a apagar. Tudo em volta é
liberdade como um vento sem destino, sem nome e sem sobrenome, dorme nas
calçadas sem lenço e sem documento. Nas margens do pensamento, um pensamento
cansado que não sabe de onde veio e nem para onde vai.
A
solidão machuca, a dor é silenciosa e o menino anda pelas ruas sem saber o que
procura, sem saber de onde saiu, sem saber onde vai chegar. Chora uma lágrima no
escuro de um olhar, e a rua é a casa, a calçada é cama e a lua não cansa de
clarear. O sonho sob os raios de muitos sóis enquanto adormece a criança no
berço da esperança que caminha sob as flores em meio a espinhos e essências. O
dia se escondeu por entre ruas e favelas, palácios e mansões, luxos e luxúrias.
A
sociedade escolhe sua casta e o resto, o resto fica aos cuidados da sorte, a
fome já passou, ficou para depois. No submundo, uma elite descarada embriagada por
milhões sacia a fome e saboreia um drinque com essência de hipocrisia. Nas
mesas a fartura de pão e migalhas a justiça que mendiga um pouco de sapiência
por nada poder fazer. Não adianta fazer nada, não há o que fazer o mundo dos
homens maus e o silêncio sucumbido entre gritos e gemidos mortos e feridos. O
que fazer agora se a lua não quer mais clarear e o sol perdeu o seu brilho e a
ferrugem corrói os metais. Lenta é a viagem e a mente desacelera e o pensamento
caminha entre jardins abandonados e flores solitárias.
Ao
sabor do tempo voa asas em liberdade e infinitas verdades a povoar as mentes
insólitas que ainda sobrevive, apesar da soberba e a arrogância a acampar ao ar
livre. O caos e o oásis aos olhos de nuvens passageiras e a acidez das
torrentes chuvas que enche mares e rios inundando os sertões. Segue as veredas
em diferentes direções e abismos vertentes que secam as mentes e envenenam os
sentidos aniquilando a essência que se desfaz entre sonhos e estilhaços de
verdades e castelos de ilusões.
Luiz Carlos de Proença
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