segunda-feira, 21 de maio de 2012

Abutres

Escarra o escárnio de toda a hipocrisia
Entranhada na face obscura do lascivo prazer
E dorme ao relento, a pele nua aos sabores dos abutres
Que infestam o mundo no submundo da insensatez
E cospe na face suave o delinqüente poder dos hipócritas
E ladrões que surrupiam sonhos e maculam vidas

Pelas ruas a injustiça, o ódio e a indiferença
A fome e a miséria
E no alto poder, o poder e o desmando e toda a sua discrepância  
E as mãos sujas de uma nojenta burguesia
Indiferente a tudo e a todos
E a esperteza de um mundo cruel

Assim caminham passos lentos em veredas desconhecidas
Em cada passo e em cada momento destilam-se o fel
Em outros dizimam essências
Ratos infestam os jardins
Emudecíeis e indecências defecam o horizonte

No vazio existencial
As armadilhas e o covil da hostilidade
Explora do bem o bem que tem
E subtrai o sumo da podridão
E nutre as mentes de um mundo decadente

As mãos sujas infestam os quintais e corroem os girassóis
Ladram cães ferozes pelas vazias veredas e passos incertos
E sonhos roubados sob luzes apagadas e silêncio murmurante
Dos loucos e insanos que invadem jardins mentes e verdades

A guerra contra a paz e injustiça nas trincheiras tirânicas  
O homem mata o próprio homem
E a fome sobre a mesa, migalhas e farturas
Campos em imensidões castelos e mansões
Saciam a fome do corpo e reprime a alma vazia

No peito fere a dor latente do golpe insano e sanguinário
Dos maléficos que surrupiam o suor da labuta
No chão dos sonhos a secura e o ópio no olhar
E os passos lentos em tortuosos caminhos
A boca que beija, cospe o fel no escárnio de suas entranhas.

 Luiz Carlos de Proença

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