sábado, 5 de maio de 2012

Os olhos que me veem não conseguem me enxergar


       Não parece estranho o que está acontecendo, aliás, nada é estranho. O estranho está na maneira de como vemos as coisas. De repente nada daquilo que parecia ser é o que parecia, o sentido perde o sentido diante da efemeridade de um mundo decadente, dependente. Num momento estou sóbrio em outro sou refém dos meus desejos. Falo de poesia e de política e de coisas que vai além do imaginário. Muitas vezes o tédio me corrói e me nutre por alguns instantes. Refugio-me no mundo do mundo que me acolhe.
            Não sei se esse mundo está em mim ou eu estou no mundo. Não sei se voou ou caminho, se escolho caminhar não sei se contemplo a paisagem ou se sinto o perfume das flores ou ainda se devo me preocupar com os espinhos. O meu sentimento é um mundo paralelo, quando a realidade me machuca viajo no subterrâneo das palavras e deparo com a  beleza da vida e a magia de viver. E seguida volto ao mundo real e vejo a vida acontecer na simplicidade de cada momento que perfaz todo o instante.
            Cada um vê as coisa à sua maneira ou à sua conveniência. O nosso reflexo reflete-a e não o contrário. A compreensão das coisas se dá a partir da realidade de cada um. O que temos, são superficialidades que é atraído pelos olhares que alimenta o corpo, mas não sustenta a alma. Não importa nada me importa. Preocupo-me com muitas coisas, mas a única coisa que não me preocupa é o que as pessoas pensam de mim. Intenso, imenso é o infinito.
            Deixe-me o tempo, vivo por esse momento e me alimento de instantes. Deixem pra lá, venha ao meu lado contemplar a face que ainda não conheço. Fitar os olhos que nunca me olharam, beijar os lábios que jamais me beijaram. Agora vá embora e me deixe sozinho, eu e minha solidão. Não tenha pena e nem piedade, prefiro o ódio que a indiferença. Então me deixa não se preocupe vou embriagar com um cálice de silêncio. E minha solidão irá sonhar ao meu lado e talvez eu te encontre em outros sonhos e junto contemplaremos estrelas no momento agora que se faz eternidade.

Luiz Carlos de Proença

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