Luiz Carlos de Proença
Vi a liberdade presa entre as palavras no sossego das madrugadas. Quero conversar com a saudade, falar de coisas e viajar no inimaginável no exato momento do desfazer do pensamento. Se der tempo quero sentir o brilho das estrelas, o calor do sol. Enfim, sentir a vida afagar a face num lampejo de coragem, num ar de liberdade esperando apenas a verdade na simplicidade de alguma coisa que pode estar próximo, ou poderá acontecer. E de repente o paraíso deslumbra em minha frente e nada mais faz sentido. Diz-me quem tu és? De onde veio e para onde vai? Enveredei-me mata adentro e embriaguei-me no silêncio esquecido de um instante qualquer. Fugi dos mais profundos sentimentos, me deparei com a razão perplexa diante do inexplicável. Não vi sol entre as palavras, não me vi diante de mim. Não sei se esse dia passou ou se eternizou na memória do ontem que não quis ser hoje e fugiu do amanhã. Não pensei na verdade, encontrei-me com a mentira e com suas insinuações e facetas. A maldade ainda triunfa na cumplicidade com a mentira, em que o mundo padece nas mãos dos algozes, na tirania do poder. A miséria humana, a imbecilidade na cegueira de cada dia. A mente aturdida não parava de viajar, entre sonho e realidade busquei abrigo no ínfimo momento de um instante que se apagou em um tempo que nunca existiu. Vi o paraíso sob os meus olhos flutuando sobre as nuvens de algodão, no amanhecer de um dia qualquer. Não sei por quem os sinos dobram, só sei que tudo que existe tem sua razão de existir, e isso é o bastante. A tarde chega e a noite engole o dia e a lua soberana perpetua a sua luz num oásis perdido, onde me encontrei no jardim das ilusões. Na mente, o exílio e a paisagem eqüidistante de um paraíso devastado. E sob os resquícios das tempestades, estilhaços de um sonho qualquer, emersos nos escombros da verdade. A noite adentra o universo das palavras em que a liberdade ainda pulsa na incessante busca de um sentido quando não há mais sentido.
Luiz Carlos de Proença
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