O imaginário imagina o inimaginável, enquanto os olhos veem aquilo que nos propomos a ver. Mas tudo que existe tem sua razão de existir. E a vida trafega entre paradoxos, desafiando a própria lógica, se viver fosse apenas uma questão de lógica. O ser e o saber, a estética e a ética. Tudo flui, conflui e os opostos se atraem. A sociedade contemporânea e seus valores contemporâneos nos levam onde queremos chegar. Mas onde queremos chegar? Podemos beber da fonte do saber toda sabedoria, mas de que isso adianta se não nós conhecemos? Dessa forma corremos o risco de morrermos afogados nessa fonte. Podemos tudo, até destruir a nós mesmo e viver ser razão. Às vezes tenho vontade de mandar tudo às favas. É um grito preso que quer gritar, é a voz calada que está cansada de esperar. E um sonho espera na próxima esquina, mas ele sempre escapa por entre os dedos. A vida indignada pede complacência e um pouco de benevolência. Um pouco de tudo, a quem nada tem. Um pouco de paz a um mundo em conflito. As estruturas, desestruturadas se esvaem ao vento da corrupção que corroem a essência e envenenam os jardins. Corações e mentes em turbulência, e a chuva apaga o sol, e o horizonte se desfaz em pleno olhar. Na mente apenas a miragem da paisagem de um longínquo paraíso. Refaço o instante que se faz momento no resquício de um dia inteiro
De tempo em tempo somos envolvendo por uma força chamada esperança, que quer a todo custo nos levar em suas asas. Somos quase que forçado a acreditar nessa força, que sempre aponta para novos horizontes. Mas, sem ao menos perceber que essa força como fosse uma ave migratória parte para outro norte. Deixando órfãos, e ficamos a deriva quão a um barco sem leme. Embevecido nesse imaginário, embrenhamos mata adentro, em busca do desconhecido. Muitas vezes, nos ferimos tentando nos achar; e nossos olhos são ofuscando pelo brilho do sol. E assim vivemos esperançando dias melhores.
Luiz Carlos de Proença
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