sexta-feira, 8 de abril de 2011

Falem...

Falem ao silêncio que eu preciso falar
Falem mesmo que ninguém queira ouvir
Falem às pedras que não pare de rolar
Falem ao vento que não pare de soprar
Falem ao sol que não pare de brilhar
Falem às flores que não parem de florir
Falem à tempestade que não devaste o paraíso
Falem às águas que não matem de sede os rios
Falem ao caos que o universo é infinito
Falem ao horizonte que os olhares se perderam
Falem às palavras que as pedras estão caladas
Falem à poesia que o poeta está vivo
Falem à vida que a morte não venceu
Falem ao pensamento o que ele nunca pensou
Falem ao deserto que a areia não existe
Falem ao tempo que a ampulheta se perdeu
Falem à chuva que os rios estão secos
Falem a filosofia que perdi meu porto seguro
Falem aos céus que os anjos estão fugindo
Falem ao sagrado que tudo é profano
Falem à liberdade que as asas ainda voam
Falem o ontem que o amanhã será próspero
Falem aos espinhos o segredo das flores
Falem ao pesadelo que preciso sonhar
Falem à verdade que a mentira não vencerá
Falem ao sonho que já acordei
Falem à terra que o céu o protegerá
Falem aos corações os sentimentos do mundo
Falem qualquer coisa
Falem à vida
Falem ao amor
Falem aquém quiser ouvir

Luiz Carlos de Proença

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