quarta-feira, 2 de março de 2011

A nossa política de sempre


Salário mínimo é uma questão política ou uma questão econômica? Segundo o DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos diz que o salário mínimo para atender todas as necessidades básicas do cidadão teria que ser de R$ 2.227,53. Há um abismo muito grande entre esse valor e o valor do salário mínimo vigente hoje. O governo defende um valor de 545 reais, acima disso será inviável, afirmam. Enquanto que sindicalistas brigam por um valor de 560; e a oposição quer o salário mínimo de 600 reais. O governo insiste em afirmar que acima de 545,00 provocará desequilíbrio nas contas públicas.
 Governo, oposição e sindicatos articulam para ver quem vence essa queda de braço. A maioria é governista e negociam com os aliados para que o valor seja de 545 reais, uma vitória do governo no primeiro embate do governo entre a oposição. Enquanto a oposição em minoria é claro que articulam e negociam o valor acima de 545 reais, derrotando o governo. Situação (governo) e oposição, sempre preconizam o velho jogo político de interesses. Os aliados votam com o governo em troca de cargos. E a oposição? O papel da oposição todos conhece, é aquele mesmo de sempre bloquear todos os projetos propostos pelo governo.
O governo é a vitrine, convenhamos é bem mais fácil jogar pedras. No final da história todos têm tetos de vidro. A Justificativa do governo é que o valor acima do proposto que é de 545,00 pode causar um descontrole nos gastos, contas públicas. Tudo bem, em que país eles vivem, os gastos deles, deputados e senadores não entram nessa conta, não faz parte dos gastos públicos? São os mesmos gastos que emperram um aumento significativo do salário mínimo? Porque para eles um aumento acima de quaisquer índices. E para o salário mínimo as migalhas? De onde vem os recursos que pagam nossos queridos parlamentes com salários e todas as formas inimagináveis de gratificações e privilégios? Os mesmos que deram esse aumento ridículo ao salário mínimo são os mesmos que aumentam os próprios salários.
 A indignação que fica é que para um aumento ridículo do salário mínimo precisam de vários dias de reuniões, negociações, calcularem a inflação, analisarem esse índice e aquele e outro, assim vai. Preocupação com as contas públicas, coisas que eles não têm e não fazem questão nenhuma em ter, quando é para aumentar o próprio salário. Os três valores em discussão são irrisórios, mostram o desrespeito para com o povo brasileiro. Os olhares buscam o horizonte, mas não conseguem ver o infinito.

Luiz Carlos de Proença

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