O tempo parece eternizar em algum momento, não sei,
talvez seja bobagem, coisa que não faz o menor sentido. Sentido, essa palavra
vira e mexe sempre aparece em meus textos. Talvez ela tenha vida própria e
esteja querendo ensinar outro caminho, além do caminho das pedras. Confesso que
muitas vezes fico confuso, tudo acontece ao mesmo tempo e isso cansa e faz
voltar ao sentido e perguntar: Que sentido tem tudo isso? Perguntei, apenas por
perguntar, não interessa nenhum pouco a resposta. Não quero falar sobre isso,
quero escrever sem sentido ou não, isso não importa, há tantas coisas sem
sentido por aí. Não sou eu que vou dar sentido, meus textos nunca teve sentido
definido, agora porque eu tenho que fazer isso? Mas vou continuar escrevendo
sobre isso. A imaginação é real e a realidade é imaginária.
Às
margens do sentido, mendigando um pouco de atenção, procurando entender as
coisas como elas são e porque são assim. A verdade não sei, a mentira está por
aí em qualquer lugar. E as coisas são mesmo assim, tudo é relativo, não há
verdade em lugar nenhum e a mentira sempre está aposto. Hoje o sol aquece, e em seguida o frio e o
homem e seus demônios. Ludibriado pela preguiça que descansa sobre o sol em
pleno jardim suspenso. Vou deixar passar esse momento, não quero pensar agora,
só quero voar para bem longe. Não quero a realidade, a imaginação me faz bem,
me alimento de sol e contemplo estrelas no meu quintal.
Para
bem longe não existe, somente um lugar distante longe de tudo, não quero
chegar, basta o caminhar e o cansaço da jornada. Brinco com a vida e planto
flores em distantes jardins para colher próximo de mim flores e frutos em outra
estação. E para depois voar bem alto entre os infinitos acariciando as faces de
um ser desconhecido estranho aos olhares, próximo a via – láctea. Um dia, uma
noite e uma imaginação solitária entre flores e jardins contemplando a própria
solidão e aos céus graças e louvação. Seria assim o próprio sentir, mas esse
ser que é humano mórbido e insano, sapiente e demente.
Partiu para bem longe, muito longe, e a voz que
ainda insistia em chamar, mas já não adiantava nada. Só ficaram os rastros e um
imenso vazio e a triste lembrança daquele momento. Mas aquele momento ainda
deixava um pouco de esperança, algo podia acontecer de novo e isso era
fascinante. Lembrar aqueles momentos e ter quase a certeza que tudo pode ser,
por mais difícil que seja tudo pode ser, tudo. Longe é um lugar que mora a
imaginação, pressuponho, pois a imaginação poderá levar para qualquer lugar.
Não se preocupe com quem quer te derrubar, siga
sempre rumo ao sol e não abandone o sonho que trouxe até aqui. Já são horas e
horas andando por ruas desertas e escuras, não sei onde está o sol, mas mesmo
assim vou segui-lo. Um dia um tempo dirá que tinha razão e descansa à beira do
caminho, próximo ao jardim. Há um tempo que foi e outro que está por vir, entre
eles um sonho esquecendo a realidade, querendo sonhar. O mundo não para e tudo acontece, não há como
fugir das tentações e das paixões.
Imagino o meu mundo, um imenso paraíso perdido, um
lugar distante longe de tudo. Não há sol para seguir, contemplo estrelas e a
lua clareia meus passos. Quero fugir e não consigo, quero entrar e nenhuma porta
se abre, quero voar e minhas asas perderam forças, quero a liberdade estou
preso em mim mesmo. Penso em mim longe de mim mesmo tentando ser eu mesmo, mas
a chuva não deixa gosto dos dias de sol.
Escrevo o que penso o que sinto e o que imagino. Não escrevo para dizer
o que sei, não sei, se o que escrevo interessa a alguém, apenas escrevo. Para
alguns os espinhos tiram a essência das flores, para outros, os espinhos são
própria essência.
Luiz Carlos de Proença
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