sexta-feira, 10 de maio de 2013

O desencanto ainda encantado


“Se a isca não foi abocanhada, a culpa não é minha. Não havia peixe... (Nietzsche). Bebemos da antiga fonte de um eqüidistante passado de um mundo em constante evolução. E assim somos nós caminhantes por essas veredas, vezes complicamos em outras descomplicamos e assim é o nosso caminhar. Do outro lado da outra margem, o mesmo lugar parece ser diferente, muito diferente.
Vírgula, vírgula uma ova e de repente mais que de repente um silêncio que se podia ouvir a quilômetros de distância e em seguida uma pausa. Mas que doideira? Ouvir o silêncio? O que você bebeu e o que você comeu no jantar? Você está é louco, onde se viu ouvir o silêncio? Retrucou aquela estranha voz que vinha de algum lugar. É, acho que estou louco mesmo, estou ouvindo vozes e não consigo ver ninguém. Por ventura, você tem algum livro, preciso ler, preciso-me alimentar, só peço que entenda a minha situação, não complique o que já está complicado entenda o meu silêncio.
O descaso é parte integrante do cotidiano, é coisa normal ver um pedinte em cada esquina, é parte da paisagem. A briga ideológica e o discurso caloroso de políticos populista. E o mundo saindo do eurocentrismo e caminhando em busca das margens ainda estranha ao poder real no distante horizonte ao redor do próprio umbigo.
  Que viva vida!  E aos que dela deleita o verdadeiro prazer do viver bem e do bem viver. Quando floresce o desejo e a necessidade por liberdade, a busca se torna incessante e incansável. A liberdade não é um fim é um meio, e é intrinsecamente o impulso que impulsiona a saga humana nos caminhos da vida. A vida é a ação humana e viver é o entrelaçamento de sonhos e desejos sob a nossa condição humana. Não somos uma ilha, somos seres sociáveis, pensamos diferentes, porque somos diferentes, mas somos semelhantes. Buscamos a igualdade nas divergências, respeitando cada um como ele é; eis a essência do ser humano, buscar a igualdade nas diferenças.
Essa é a mensagem de um discurso pronto de um texto editado, embora nas entrelinhas o discurso seja outro. O mundo multifacetado emaranhado de números e índices estatísticos em uma noite escura iluminado com luzes de neon. A sega humana e os capítulos  que ainda serão escritos e o discurso do rei no alto do seu trono e os novos caminhos que ainda não foram desvendadas. E se faz o dia um após outro e nessa constante espera, um tempo para refazer a vida, enquanto busca a tranquilidade e o sabor da essência, sentado à beira de um riacho de água cristalina visualizo a imagem do Narciso se desfazendo em sua própria arrogância.

Luz Carlos de Proença

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