quarta-feira, 29 de maio de 2013

Alguma coisa para fazer sentido

        Nada mais faz sentido, dizem alguns. Enquanto outros afirmam que o sentido está no próprio existir. A existência diz quem é, embora eu não queira ouvi-la. Em meio a tudo isso, há um processo em curso e na extensão de tudo que pode ou poderá acontecer, mas ainda existe a possibilidade de nada existir. São vagos pensamentos que pode servir para preencher o vazio do próprio vazio do próprio existir.
          O ritmo alucinante em que tudo acontece e com o mesmo ritmo desaparece como se nada tivesse acontecido. Mesmo com a rapidez que tudo acontece, tudo passa, ficam-se os rastros, as lembranças e os sinais de que algo passou por aqui.  A razão não sabe para onde vai, enquanto a fé e a  esperança a vida eterna, o paraíso.
          Descansa embaixo dos trigais a paz, tão desejada, tão almejada, mas distante do alcance das mãos que esmola na próxima esquina. Anda cabisbaixo por entre ruas estreitas, rastejando por um pouco de dignidade, e assim segue a vida por vales e montanhas.
          Desce do pedestal e anda pelas ruídas dos castelos e mansões dos jardins de ilusões. Delicia com as flores mortas e farta a fome de espírito para depois bradar o seu poder sobre tudo, pois, tudo lhe pertence. Em seguida junta tudo e guarde ao lado, próximo ao lindo jardim nutrido pela ignorância com um pouco de arrogância e o prazer a gosto.
          O sentido das coisas são as coisas sem sentidos, tudo que quiser está aí, coma e beba a vontade, não faça cerimônia, a casa é sua. Dialoga debaixo de uma frondosa árvore, a paz, a justiça, a solidão e a felicidade, todas em busca de sentido para o próprio existir. O futuro é incerto, mas mesmo assim tem a certeza que o tal futuro chegará.
          Tudo bem com senhor? Vai como Deus quer, responde na simplicidade de quem já viveu o bastante para crer ou descrer em tudo. O mundo está aí à beira da sua porta, por favor, entre sem bater e juntos vamos congratular o sol da manhã, o escuro da noite e o sereno da madrugada. É outro dia, vamos conversar sobre a vida, contar história e rir de nós mesmos. O sentido dá sentido ao próprio sentido, a vida carece de sentido, ao amanhecer, ao anoitecer e ao sentimento sublime de sentir o sentido da vida.

Luiz Carlos de Proença 

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