Um tempo, um momento, um instante e um
dia a mais dos dias que estão por vir. Antes andava sobre as sombras, hoje o
vulto e a face de um mundo imaginável. Sabeis que o caminho que leva ao lugar
escolhido, fica muito distante do pedaço do chão em que pisa. Alheio ao barulho
que poderá incomodá-lo, sendo assim a escolha é sua, e arcarás com as possíveis
consequências. Então, deixou o seu mundo e foi embora, embora não sabendo o
caminho e nem que caminho seguir. Enquanto pensava, envolvido no silêncio
daquele ínfimo instante, refletia sobre a dureza da vida e a difícil caminhada
até o monte mais alto que imaginava existir
Antes havia um anjo a seguir nas
entrelinhas da imaginação depois que a imaginação passou ser realidade o tal anjo
deixou de existir. Mas ainda há um profundo silêncio entre o amanhecer de
qualquer dia em qualquer estação. Os
olhos vislumbram uma miragem de um mundo construído em palavras e o acaso se
fez em ilusões e construiu o seu castelo com as pedras que jogaram. Vagueiam
passos solitários pelas incertezas sorrateiras dos sóis em muitas manhãs de todos
os dias dos instantes que se aproximam.
As portas entreabertas fazem entrar as
réstias de um sol solitários que insiste em sonhar com as estrelas mais
distantes. Mas o infinito está entre o sonho que faz esquecer um pouquinho o
mundo que gira entre as mentes inquieta interligando o tudo e o nada, o início,
o meio e o fim, até que as pedras comecem a rolar. E assim se faz os jardins,
germinam as sementes e petrificam campos e cidades, mares e sertões, alma e
corações.
Um tempo, um momento e um instante e
tudo mais passa ser algo inexistentes. Alguma coisa, algo diferente e tudo
perdem o sentido e as palavras já não dizem nada. Talvez a liberdade não queira ser livre sob o
pretexto de não poder voar mesmo tendo asas.
Às vezes a vontade passa fome e isso dói, e o pior é que essa dor mesmo
doída não é sentida, mesmo a dor sendo constante fazendo transparecer as
lágrimas da alma.
Assim é o mundo, o mundo como uma
metáfora, texto sem palavras, poesia sem verso, sem amor e sem ódio, sem paz e
sem guerra. Metáfora de um mundo real, onde chora as lágrimas e fecunda os
sentimentos para nascer à paz e o pão de um novo mundo. Não, não sois vós a voz
que fala e o silêncio que escuta a sublime canção ao vento.
Uma pausa se faz necessária e as
palavras já não precisam ser ditas, somos todos e apenas um, somos todos filhos
da terra e do sol da água e do fogo. Os jardins se petrificam e germina as
sementes, assim como as águas inundam os desertos irrigando corações, alma e
espírito. Um mundo e vários caminhos, um olhar e muitas lágrimas e um só sentimento.
As palavras querem dizer, mas o sentimento fala por ela, agora resta somente o
silêncio e uma voz que chama: por favor, venha, eu preciso de você.
Luiz Carlos de Proença
16/12/12
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