domingo, 16 de dezembro de 2012

O mundo como metáfora


Um tempo, um momento, um instante e um dia a mais dos dias que estão por vir. Antes andava sobre as sombras, hoje o vulto e a face de um mundo imaginável. Sabeis que o caminho que leva ao lugar escolhido, fica muito distante do pedaço do chão em que pisa. Alheio ao barulho que poderá incomodá-lo, sendo assim a escolha é sua, e arcarás com as possíveis consequências. Então, deixou o seu mundo e foi embora, embora não sabendo o caminho e nem que caminho seguir. Enquanto pensava, envolvido no silêncio daquele ínfimo instante, refletia sobre a dureza da vida e a difícil caminhada até o monte mais alto que imaginava existir
Antes havia um anjo a seguir nas entrelinhas da imaginação depois que a imaginação passou ser realidade o tal anjo deixou de existir. Mas ainda há um profundo silêncio entre o amanhecer de qualquer dia em qualquer estação.  Os olhos vislumbram uma miragem de um mundo construído em palavras e o acaso se fez em ilusões e construiu o seu castelo com as pedras que jogaram. Vagueiam passos solitários pelas incertezas sorrateiras dos sóis em muitas manhãs de todos os dias dos instantes que se aproximam.
As portas entreabertas fazem entrar as réstias de um sol solitários que insiste em sonhar com as estrelas mais distantes. Mas o infinito está entre o sonho que faz esquecer um pouquinho o mundo que gira entre as mentes inquieta interligando o tudo e o nada, o início, o meio e o fim, até que as pedras comecem a rolar. E assim se faz os jardins, germinam as sementes e petrificam campos e cidades, mares e sertões, alma e corações.
Um tempo, um momento e um instante e tudo mais passa ser algo inexistentes. Alguma coisa, algo diferente e tudo perdem o sentido e as palavras já não dizem nada.  Talvez a liberdade não queira ser livre sob o pretexto de não poder voar mesmo tendo asas.    Às vezes a vontade passa fome e isso dói, e o pior é que essa dor mesmo doída não é sentida, mesmo a dor sendo constante fazendo transparecer as lágrimas da alma.
Assim é o mundo, o mundo como uma metáfora, texto sem palavras, poesia sem verso, sem amor e sem ódio, sem paz e sem guerra. Metáfora de um mundo real, onde chora as lágrimas e fecunda os sentimentos para nascer à paz e o pão de um novo mundo. Não, não sois vós a voz que fala e o silêncio que escuta a sublime canção ao vento.
Uma pausa se faz necessária e as palavras já não precisam ser ditas, somos todos e apenas um, somos todos filhos da terra e do sol da água e do fogo. Os jardins se petrificam e germina as sementes, assim como as águas inundam os desertos irrigando corações, alma e espírito. Um mundo e vários caminhos, um olhar e muitas lágrimas e um só sentimento. As palavras querem dizer, mas o sentimento fala por ela, agora resta somente o silêncio e uma voz que chama: por favor, venha, eu preciso de você.

Luiz Carlos de Proença
16/12/12





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