domingo, 27 de maio de 2012

Brasil dos brasileiros


            Eternizou-se em nós a frase dita e cantada, que o Brasil é o país do futuro. De certa forma isso é verdadeiro, pois se trata de um país muito jovem com cinco séculos de vida. Acredito que todos saibam pouco da história do Brasil, mas esse não vem ao caso, não é disso que trata esse texto. Um país e seu povo, o Brasil para os brasileiros. Tantos sociólogos, antropólogos já escreveram sobre esse país e seu povo, suas alegrias, suas riquezas, seus problemas e tudo que envolvem essa grande nação.
            Desde que me conheço por gente, ouço sempre falar na tal cultura política brasileira. Mas que “raio” é isso? Não vou responder diretamente, a resposta estará ao longo do texto a partir desse ponto. Todos sabem como esse país foi descoberto e toda a sua história a partir do seu descobrimento até a contemporaneidade. Para chegar até a esse momento, muitos outros momentos enriqueceram e empobreceram a história e a trajetória desse país e desse povo. 
            Nascemos pré-coloniais, em seguida colonizados, passamos pelo período imperial, a coroa era poder e a crença era o rei, um rei distante, mas era o rei. Ficamos independentes da coroa e abraçamos a república, a coisa pública, tudo pertencia a nós.  Parecia que o país do futuro começava caminhar por suas próprias pernas. O Brasil, gigante pela própria natureza, eternamente adormecido em berço esplêndido. E a República que nos tornaria livres, com nossas crenças, nossos valores, nossos ideias e tudo que é inerente a uma sociedade livre e pujante caminhava sob novos horizontes. Mas, tudo isso vinha a cair por terra entre tiros e trincheiras e o poder dos generais. E a República mergulhava no caos da obscuridade dos anos chumbo. Sempre há arco-íris após a tempestade e um sol de esperança brilha para um novo país. Ai veio um novo tempo, a redemocracia do país e um novo hálito político suavizam o céu do Brasil.
            O poder sem os generais abrem espaços para o poder civil, o povo no poder, o poder é do povo. E assim se seguiu e a política toma corpo e um novo temperado pela democracia com sabor de liberdade. Vota-se o povo, escolhem seus representantes e também derrubam os escolhidos.  As legendas partidárias se misturam num mar ideológico e crenças políticas e o poder se acirra. E nesse contexto, se depara com um sistema político frágil e corrupto. O cenário é um grande balcão de negócio onde se vende república a gosto do freguês. As instituições políticas fragilmente se corrompem aos olhos do padrão. Um sistema no mesmo sistema como cupim na madeira e o Brasil dos brasileiros empobrece sobre as ordens do rei e ainda sob a força bruta dos generais.  Mas mesmo assim, o Brasil dos brasileiros insiste em crescer apesar da indústria da roubalheira e o imenso lamaçal político.

Luiz Carlos de Proença

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