sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Humana esperança


A maldade se esconde em qualquer canto, se disfarça em varias faces e nos mais diversos formatos. A face do mal pode ser a face humana, o mau está em nós, somos corrompidos a todo o momento, deixamos nos corromper. Muitas vezes inconsciente ou não, praticamos pequenos atos, que elevam ou não a nossa condição humana. Não importa o tamanho do delito, só o fato de praticar e ferir o semelhante, já diz que as condições humanas mergulham nas fontes do mau ou do bem. Beber dessas fontes é livre arbítrio. Pode tudo, e ao mesmo tempo não se pode nada. Tudo flui, conflui, faz, se desfaz, refaz, diz e contradiz, somos a face da mesma face, somos o mesmo olhar fitando o mesmo horizonte. E em longínquos jardins, o paraíso e a solidão se perpetuam na essência do mau. Na antiguidade, todos os males eram atribuídos aos deuses, não que eles fossem maus. Os males eram visto com um castigo dos deuses a desobediência dos homens as ordens ou aos preceitos divinos. Se for pensar profundamente sobre isso, é interessante e ao mesmo tempo muito cômodo, pois é muito fácil atribuir nossos erros aos outros. Na contradição humana, a maldade se manifesta sobre as belas formas. A distancia entre o amor e o ódio não é um abismo como se pensa. Amor e ódio andam lado a lado. Na contradição humana, a vida caminha sobre paradoxo, é a própria contradição, caminhando em mão única. Querer é poder, saber é poder, sapiência e demência, corações e mentes. A banalização está em todo canto, em todos os meios. O homem é o lobo do homem, afirma o filósofo Thomas Hobbes. No contexto civilizatório, essa afirmação não deixa nenhuma dúvida. O homem usa sua imensa capacidade e potencialidade tanto para construir como para destruir. As duas guerras mundiais e os inúmeros conflitos que maculam o nosso tempo fazem com que acredite nisso. A esperança parece ser algo muito distante, além do nosso alcance. Algo que se esconde logo adiante, mas que nossos olhos não conseguem ver. A incapacidade de ver e perceber o que acontece ao nosso redor ou enxergar apenas o nosso umbigo. São olhares virtuais na tela do imaginário, e o que acontece do lado de lá é puramente entretenimento, um jogo que não há vencido e nem vencedores, todos são perdedores. E as mãos sujas sujarão o corpo inteiro, e não há água o suficiente para limpá-lo. No jogo do poder, o poder é de quem joga sujo. E nesse campo pelo o que se veem os vícios superam as virtudes, e as flores morrem no silêncio dos jardins, sob os sepulcros dos ignorantes. Apesar de tudo isso, ainda sopra o vento da esperança, das mãos que não esperam que alguém tragam flores, mas sim semeie o bem em todos os jardins. E quem sabe numas dessas manhãs, o sonho amanheça uma nova manhã.

Luiz Carlos de Proença





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