É profunda, extremamente profunda a essência do ser na busca do próprio ser.
Caminhar pelos caminhos da razão por estreitas passagens.
Embrenhar mata adentro, ferir-nos mais profundos espinhos e sentir o aroma da flor que se perdeu no abismo da ilusão.
Não há lágrimas no olhar no vazio da solidão.
Não há voz que se cala diante do absurdo.
Não, não há paz na miséria, não há luz para iluminar o acaso, não há escuridão que se perpetue.
Na aventura humana, o tempo é a imaginação que se faz no momento que se desfaz.
Na aventura humana, o humano se faz humano, no encontro e no desencontro, no encanto e no desencanto.
Num canto da vida, o inexplicável a lógica da vida é extremamente a ilógica de tudo.
O caminho nem sempre nos levam ao paraíso.
E assim se desfaz o dia e se faz a noite, dando vida ao novo dia e em tudo que está por vir.
Na busca de sentido, nada faz sentido, a flor perde a essência, a vida perde o sabor, onde está o amor?
No olhar enfático do tempo, a terceira margem do rio, e os sonhos acordam o pesadelo no parir da consciência.
Hoje as flores de qualquer jardim cantam ao dia de ontem a loucura do amanhã.
Antes a ferida do corpo, agora alma esfacelada e a noite morre um pouco para dia viver mais e as setas apontam o lado desconhecido.
E as láureas se esvaem em plumas esfuziantes ao encontro dos anjos benevolentes de asas feridas que infinda o alvorecer de um ínfimo instante.
E uma canção brota da alma e rompe o infinito trazendo a vida numa melodia de esperança.
Envolvendo o mundo em todo o seu azul, poetizando as rudes palavras, versando a simplicidade na sensibilidade de um simples olhar.
Depois do deserto sempre há um jardim! Sempre há um tempo ao qual nos debruçamos em busca de conforto para nossas almas, e talvez as respostas para nossas inquietações.
Vamos voar além – infinitos, deliciar com as delícias de tudo que é delicioso beber o vinho da virtude e embriagar de felicidade e flertar as estrelas e desaparecer no mistério da vida.
Talvez o tempo desapareça num raio de luz e as estrelas brilhem um dia inteiro.
E de repente um silêncio e nada mais. A partir de agora meus caminhos se curvam enquanto a noite não passa.
Vestígios de silêncio, estilhaços de alguma coisa, que ao contato do nada, quebrou-se ferindo todos os corações.
Minhas mãos tocam as estrelas, quaisquer estrelas em qualquer noite, lua vicejante, planeta em difusão, lua de asas feridas, liberdade perdida em oceano de luzes e terra em transe.
Tudo bem, eu entendo, não desejo mau a ninguém. Apenas quero conversar com as palavras e saciar minha sede logo ali no próximo parágrafo.
Uma fonte de água, um sol a iluminar e um sonho se perde entre lágrimas e flores.
E um vento sopra por entre as frestas do infinito e do olhar uma águia alça voo na imensidão do jardim.
Leve as mãos à face, esquecendo que é preciso se lembrar um pouco do pouco que se viveu. E ensinar um pouco do pouco que se sabe para aprender um pouco do muito que não se sabe. Esqueça os sonhos nunca sonhados.
Quando os olhares se perderes no horizonte, desenharei o mundo escondido no sonho esquecido.
Luiz Carlos de Proença
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