Dizem que a segunda-feira é o dia internacional de preguiça. Ao certo porque as baladas do fim de semana regadas a bebidas e outras coisas mais. Não sei, sei que segunda-feira é o bicho. Depois de um final de semana daqueles, Belarmino 37 anos, desempregado começa mais uma semana. Azar ou sorte, a segundona amanheceu num pé da água daqueles. Mesmo assim, foi à padaria que fica praticamente uma esquina de distância de sua casa e fez uma parada na banca de jornal, precisava se informar, se inteirar sobre os assuntos, pois a semana estava apenas começando. Deu uma passada de olho nos classificados de emprego só por desencargo de consciência. Já foi rapidinho nas páginas de esporte para conferir os resultados dos jogos do final de semana e conferir a tabela de classificação. Depois passou para paginas de política e economia. Achou estranho e ao mesmo tempo questionador a manchete da página que dizia: Foi sancionado o novo salário mínimo, depois de ser aprovado na semana passada pelo congresso e na última sexta-feira pelo senado. As duas manchetes, tanto a política como a de economia pareciam praticamente iguais, ambas falava do novo salário. Novo? Indaga-o pra si mesmo. Há semanas que no noticiário de economia e política só se fala nisso. Seria óbvio que a base governista iria aprovar o projeto do governo com folga. Foi exatamente isso que aconteceu. E começa a perguntar pra ele mesmo responder, porque tanta discussão para um aumento tão pequeno? Política e economia são co-irmãs. E aquela amanhã de segunda-feira, passou sem mesmo ele perceber, mas a chuva continuava. Acompanhando os noticiários dos telejornais da tarde, que concentrou todo o seu tempo a noticiar a crise nos países árabes, que depois da Tunísia e Egito, agora é a vez da Líbia. É o povo derrubando ditadores. A liberdade tem que ser conquista pelo oprimido, não dada pelo opressor, filosofa.
Belarmino 37 anos, desempregado, passou mais um dia de sua vida embrenhados em seus pensamentos e questionamento, tentando entender as mazelas humanas.
Luiz Carlos de Proença
que bela cronica luiz
ResponderExcluirdeveria ser publicada em jornais