Em
alto-mar, barco à deriva, sem rumo, sem direção. As mentes antenadas de
continente para continente transmitem a divina comédia humana. Os corações
dilacerados e a flor ferida choram as lágrimas do orvalho das manhãs. Diante de mim, o silêncio inquietante e uma
viagem ao desconhecido em busca de outro norte. E tranquilamente aquele barco
segue em meio ao lamaçal e encalhando aqui e acolá, mesmo assim segue a procura de outras paragens.
Enviaste flores a sua existência,
pois foi assim mesmo que perdeste ao longo do cominho à vontade e o desejo de
chegar. A liberdade rompe as correntes
das aprisionadas paixões que se misturam entre a razão e a emoção. Um grito
liberta a alma ensandecida desfigurada frente a algo estranho. Nas veredas a
aurora de todos os dias e o encanto em todos os olhares, embora o desencanto
desfaça o sonho e a ilusão desiludida entre lágrimas e lamentos.
Um
instante já é passado, tudo que eu for escrever inicia-se no presente e ao
terminar é passado. Infinitos aos olhares que vagueiam
solitários, e assim segue, seguem o caminhar os mesmos caminhos, as mesmas
dores e as mesmas angustias. Somente só e solitário por apenas alguns momentos
que parece se perpetuar. Ao longe o refugio nômade do arco-íris depois da tempestade
que devastou o paraíso.
Entre o existir e o viver, há o ser e esse ser
é o outro que também existe e anseia por viver, que não quer ser apenas mais
um. Plenamente ungindo pela chuva que faz a terra germinar a semente para
colher fruto e folhas, flores e essência. Contrasta a emudeceis e a decência, o
cosmo e o caos ao bailar das nuvens. Entre
todas as criaturas, somos as mais frágeis, precisamos e necessitamos de
cuidados. Assim somos como crianças brincando no quintal do paraíso sob os
olhares de um Pai amoroso que zela de cada um de seus filhos.
A
ilusão desiludida frente ao sonho que fez pesadelo num encontro desencontrado.
Sob a noite o fel em poucas doses embriaga o sono que se esvai nos próximos
segundos. Soa o silêncio no vazio de um instante em pleno amanhecer de um dia
qualquer e um instante de eternidade. O bem é mais e um pouco de alguma coisa
para preencher o um simples momento para esconder o mal no subterrâneo do ser.
Não adianta dizer que a vida é bela diante da miséria que sucumbi corpo, corrói
alma e devassa corações e mentes.
A vida é
muito simples, é como dizem, o mundo é um livro aberto para quem sabe ler e
sentir o gosto do saber nas nuances do aprender. O conhecimento é fascinante,
quanto mais se aprende, mais se envolve no mundo do saber. E aí vem a
frustração, percebe que quanto mais se pensa que sabe, na verdade nada se sabe.
Como disse o filósofo Sócrates, “só sei que nada sei”. O universo do saber é
infinito, assim como são infinitas as estrelas em uma noite qualquer.
Nos
caminhos das desventuras, escravos de um pensamento padrão, cuja futilidade é a
máxima doutrinária. Ensandecidos pelo barulho infernal, o silêncio se refugia e
cala-se diante de tantos absurdos. O
chão sumiu ao tocar as estrelas e do alto dos céus as cabeças lançadas ao chão
num suicídio coletivo. Até que as estrelas caiam espalhando seus brilhos sobre
as mentes, num surto de sabedoria. O tempo se foi, e o vento já passou e o
sonho segue seu caminhar alimentando a essência dos sábios que habitam um tempo
qualquer. E nas entrelinhar do caminhar um transeunte em distantes veredas
fugindo de si mesmo refém dos próprios pensamentos.
E as pedras falarão, quando os homens
se calarem e o silêncio falarão ao infinito o segredo das sete chaves que
adentra ao paraíso. A seta ponta para outros nortes depois da outra margem, de
outros rios que inundam imensidões, desertos e sertões. Cidades e canções,
lendas escritas em versos e palavras cantadas ao silêncio nas noites futuras e
sonhos infidos.
A areia se esvai entre ampulheta e o
tempo que se perdeu na fenda que se fechou sobre os olhares enfáticos do senhor
da razão. A bussola não consegue encontrar o seu norte e a noite adentra e
nutri de ilusão o ser que perfaz a alma e solidifica o espírito. Uma flor desabrocha
silêncio! Uma vida foi concebida. E a consciência busca refúgio no parir da
paciência, na paranóia do caos. Volto à história e revivo o filme de sonhos no
oásis de emoções. No espelho da mente a imagem refletida daquele barco em
alto-mar. Em volto ao cio da criação, O parto da vida. O grão, a semente, o
fruto, o alimento e o amor! Tudo
silencia! E aquele barco...
Luiz Carlos de Proença
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